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Poesia por partes

Sobre tudo sobre nada. Um nada que faz parte de tudo. Um blog (quase) erótico

Poesia por partes

Sobre tudo sobre nada. Um nada que faz parte de tudo. Um blog (quase) erótico

15
Out25

Echoes of the Self ✨ - Musica

AndreL

 

Espero que gostem. Sinceramente, quando me senti para compor a letra "Echoes Within", eu só queria, sei lá, sintonizar, como se a música já estivesse a trautear algures e eu tivesse de me inclinar e ouvi-la. Essa coisa nem começou com a letra. Começou com um pressentimento, como palavras? Ui, apareceu bem depois da meia-noite, como um sopro fantasma. Toda a música vive naquele estranho meio-termo: estar sozinho(a), não exatamente quem era, não exatamente quem vais ser. Cada verso parece estar pendurado por um fio, mal se aguenta, quase a fundir-se no baixo. Não há grande drama, nenhum momento de "vamos desabafar". Apenas uma espécie de aceno gentil à ideia de que, honestamente, as nossas sombras provavelmente nos apanham mais do que a nós próprios. Com a música, eu estava à procura dessa coisa onde ela respira, percebes? Viva, mas de alguma forma flutuando. Aquela sepultura baque? É o bater do coração, a única coisa que o mantém firme. Tudo o resto gira como velhas memórias das quais não se consegue livrar completamente. E o refrão, "Echoes inside, call me home", simplesmente caiu como a coisa que me agarrava. Não se trata de uma casa imaginária com uma vedação branca. É muito mais interno.

Letra:
I walk alone through silver light
A breath between the day and night
The earth still hums beneath my skin
A thousand echoes rise within

Echoes within, calling me home
Through every silence I have known
Lost in the dark, I start again
Echoes within, my only friend

Through fading stars I start to see
The shadow shapes that follow me
I breathe, I fall, I feel, I stay
The night reveals another way

Echoes within, calling me home
Through every silence I have known
Lost in the dark, I start again
Echoes within, my only friend

“In every loss, a seed remains
Through every wound, the truth sustains
The breath returns, the circle spins
The end is where it all begins”

Echoes within, calling me home
Through every silence I have known
Lost in the dark, I start again
Echoes within, I breathe again

12
Out25

"Circle of Light" ✨ Música

AndreL

Ao compor esta música, senti como se o tempo tivesse parado por um instante, e se assim o posso por, em palavras. 

No fim, senti um arrepio bom, daqueles que vêm quando algo faz sentido. A música termina como começou, mas algo em mim já mudou. É como se ela falasse de um despertar, não aquele grandioso, cheio de luzes, mas um que acontece em silêncio, dentro do coração.

É difícil explicar, mas essa música não é só pra ouvir, é pra sentir. Ela te lembra de respirar, de confiar, de se entregar ao ciclo da vida. E quando acaba, a sensação é de que nada realmente terminou, apenas é um recomeço.

Letra:
[Omnia, lumen, spiralis..]
A breath becomes a dawn unseen,
The soul remembers what has been.

In the silence, truth unfolds,
Ancient rivers turn to gold,
Breath of ages, light concealed,
In the humble heart revealed.

Shine within, not above,
Wisdom speaks in quiet love,
Every dawn, a sacred flame,
We are one, and all the same.

(Gloria, lumen, anima mea)
In the circle, all returns,
Ash to fire, soul that burns.


Echoed voices, dream and dust,
Guide the mind to gentle trust,
What is small is what is pure,
Through surrender, we endure.

Humble is a bliss unknown,
Peace is found when self is gone,
Every breath, the universe,
Every tear, the sacred verse.

(Omnia, lumen, spiralis...)
Round and round, the soul takes flight,
In stillness, we find light.

(Spiralis... lumen... gloria...)
The sound returns to where it starts,
A gentle flame inside all hearts.
(Omnia... omnia...)
Circle of light... awaken again.

20
Set25

Penteia-te cem vezes mulher vaidosa

AndreL
 

 

Letra poema original – "Mulher Vaidosa"
(Novo Estilo)

No músculo nu que se movimenta, escaldante,
Serpentina que dança ao toque, tão vibrante.
A tua beleza cai-te como uma luva,
Veste-te só de ti, mulher tão vaidosa e nua.

És ponte que liga duas margens, do eu ao tu,
Luz que atravessa a noite, farol a céu azul.
Perco-te em volta de um segredo sem fim,
E para nomear-te, chamo-te Jasmim.

Jasmim, flor que me prende no jardim,
Sopro da vida, começo e o fim.
Se a saudade canta, eu canto assim,
No teu perfume mora tudo o que há em mim.

Um coração bem cultivado é quem tu és,
Raiz de ternura, futuro e fé.
O jardim precisa da tua essência,
Fruto de amor, pura resistência.

Estas emoções espreguiçam-se no meu corpo,
Sinto o desejo como vento solto.
Penteia-te cem vezes, mulher vaidosa,
E deixa-me beber-te na seiva da prosa.

Jasmim, flor que me prende no jardim,
Sopro da vida, começo e o fim.
Se a saudade canta, eu canto assim,
No teu perfume mora tudo o que há em mim.

Prepara-te para o amor que chega,
Cultiva-te, a vida sempre entrega.
Nunca te esqueças da sonhadora,
Da tua força rara, simples e encantadora.

Jasmim, flor que me prende no jardim,
Sopro da vida, começo e o fim.
Se a saudade canta, eu canto assim,
No teu perfume mora tudo o que há em mim.

E é no espaço do corpo que nasce a canção,
Fado e desejo correm na mesma mão.
Sorri, mulher, na beleza da tua prosa,
Na eternidade és sempre vaidosa.

--xxXxx--

 

photo: Carrier Graber - Finishing Touches

04
Set25

O que é o blogalizeme

AndreL

veritas.pngO Blogalizeme nasceu sem regras nem fronteiras, como nascem as paixões. Não se ergue como doutrina nem como manifesto, porque o erotismo não cabe em molduras: é ambíguo, inquietante, cheio de sombra e de luz. Este espaço não se dedica a definir o que é o erotismo, mas a insinuá-lo. E insinua-se em metáforas, em hipérboles, em versos que ora se confessam, ora se escondem. Não há aqui a pretensão de explicar o indizível: há, sim, a vontade de partilhar o gesto íntimo de quem escreve e a liberdade de quem lê.

Foi em 2003, nas páginas do SAPO (outro blog), que se abriu a primeira janela: O Universo Blogalize. O projeto nasceu tímido, mas depressa ganhou corpo através das palavras e do olhar dos leitores. Em 2006 encontrou no Blogger o espaço que lhe permitiu crescer com mais leveza, passando a chamar-se Blogalizeme. Desde então, o caminho tem sido contínuo, feito de prosas e versos que falam do amor e da paixão, da sedução e do quotidiano, sempre com a marca de uma escrita por vezes atrevida, realista, poetica ou por vezes desconexa.

Mas os poemas do Blogalizeme não se ficaram pela página. Anos mais tarde, muitos deles foram musicados, ganhando voz e melodia, como se a poesia pedisse naturalmente para ser cantada. Palavras que nasceram em silêncio tornaram-se canções, transportadas por acordes e ritmos que lhes deram um novo corpo. O lirismo transformou-se em som, e aquilo que começou como intimidade ganhou uma dimensão partilhada, viva, quase ritual. A poesia erótica encontrou, assim, uma nova pele na música.

O erotismo, afinal, sempre inspirou a criação. Ele atravessa séculos e culturas, reinventando-se a cada tempo. No Portugal do século XVIII, Bocage arriscou versos atrevidos que, ainda que satíricos, eram também libertários, zombando de uma moral castradora. Em Espanha, Goya pintou a célebre Maja Desnuda, tão ousada na sua frontalidade que foi apreendida pela Inquisição mas sobreviveu para se tornar ícone da liberdade do corpo. No Antigo Egipto, Cleópatra transformou a sedução em arte política, subjugando impérios através do fascínio que despertava. Na Grécia clássica, Apolo representava a perfeição estética, enquanto Nefertiti, no Egipto, foi exaltada como arquétipo da beleza. E muito antes de todos eles, as Vénus pré-históricas, figuras femininas roliças talhadas em pedra, já revelavam a ligação entre desejo, fertilidade e poder criador.

Cada época moldou o erotismo ao seu modo: ora como pecado, ora como doença, ora como arte ou divindade. Hoje, entre tabus e liberdades, continuamos a descobrir nele a mais intensa das forças humanas porque o erotismo é, em essência, a celebração do prazer.

No Blogalizeme, a poesia é esse corpo onde o erotismo se veste de palavras. Ela não se limita a nomear, mas sugere; não expõe de imediato, mas convoca o leitor a completar o que se oculta. A poesia erótica não é pornografia, não é carne exibida: é gesto, é silêncio, é olhar, é o arrepio que antecede o toque. É, como dizia Baudrillard, “um poder mítico e cheio de fascínio”, que se alimenta do segredo e da espera, e nunca da posse imediata.

E porque o erotismo não vive sem o amor, aqui ele surge como companheiro inseparável. Amar é abrir-se ao outro, dissolver a solidão, partilhar sonhos e prazeres. No encontro amoroso, nasce uma cumplicidade que transcende o quotidiano, uma fusão de desejos que se torna criativa e transformadora. O amor é também sedução, e a sedução é também poesia: são formas de tocar o indizível e de recriar o mundo a dois.

O Blogalizeme é, por isso, mais do que um conjunto de textos: é um espaço de encontro entre o íntimo e o universal, entre a memória e a imaginação. É uma celebração da palavra enquanto corpo, e do corpo enquanto palavra. Um blog quase erótico, sim, mas sobretudo humano.

Aqui, os poemas nasceram em versos, transformaram-se em canções e continuam vivos em cada leitor que os acolhe. Porque viver é também seduzir, e escrever é sempre uma das formas mais intensas de amar.

E, no entanto, eu não quero comparar-me com esses grandes da história, nem nada que se pareça. Afinal, sou apenas um ponto minúsculo no infinito uma voz entre muitas, que gosta de falar para quem gosta de ouvir. O Blogalizeme não se coloca ao lado dos ícones da literatura ou da arte, mas respira humildemente na margem, onde a paixão encontra espaço para florescer. E se esses versos e canções, mesmo pequenos, conseguirem tocar um coração, despertar um desejo, ou simplesmente fazer sorrir quem lê, então já terão cumprido o seu destino.

 

Deixo uma música
15
Ago25

Desejos

AndreL





Por razão desta consciência.
Nasceu a consequência
Fruto de uma resistência,
A causa da mente aberta...
Um desejo, como a saudade que aperta.

Em forma meio desconexa
Descreverei actos complexos
Falarei de tudo sem nexo.
Como uma chave na fechadura
Um prazer que dura,
sim, na tua boca,
na tua pele,
na onda dos teus cabelos,
nos teus pêlos,
Dar-te-ei gargalhadas,
quando um suspiro teu, brotar rouco
da garganta,
fugindo pela língua, pelos lábios,
esse teu expressar sábio,
que voa directo aos meus sentidos.
causado a chama que arde trémula,
dar-te-ei a minha ávida masculinidade
que se mesclará com a tua feminilidade
de seda, no reino da fertilidade...
Beber-te-ei essa paixão, no teu suor,
na boca que vasculha
nas tuas pernas entrelaçadas,
nas mãos, nas ancas astutamente,
em jeito de afinidade, desejo,
puro, simples, na pele e no teu cheiro.
Para ti preciso ser tarado, louco, atrevido, alucinado.
Preciso ter encanto, magia e meiguice no olhar
Preciso ser um cavalheiro
Um Homem por inteiro
Preciso ser um sonhador
O que te leve ao delírio
Que te trate como uma mulher, amada e amante
Que te trate como uma menina mimada
Que te dê colo e afague os cabelos entre beijos
Que te dê a loucura desvairada
Que te olhe todas a manhãs de cabelos despenteada
No silêncio deste morno entardecer.
Pois de ti só preciso essa afirmação de Mulher,
Para te penetrar no corpo,
no cheiro no teu desejo
E antevejo
A tua carícia violenta,
o acto que condimenta,
os delírios insanos.
Que invade com calor
Onde em cada recanto do corpo
palpita o desejo,
do teu corpo branco e sensual.
Colho a húmida flor, inquieta.
E ao caminho das curvas, a língua
que maliciosamente, busca a verdade,
Do aroma morno da intimidade e
êxtase desordenado...

Adoro-te pelo dia...
Amo-te de noite
Sou a tua loucura... o teu desatino...
Brinca comigo e deixa-me...
Encantado...
Deleitado...
Um escravo...
Selado, lacrado, domado...
Quando na elipse da tua vulva
se dá o encontro casual
do meu lábio no teu, prazer cordial.

De pele nua,
surge o apelo que insinua,
na boca desperta
que se esfrega na tua.
De peito aberto,
O toque que incendeia...
Como a chama contida
Que o teu corpo irradia!!
Na pele,
na boca,
na carne linda e nua,
brilham gotas
o néctar da tua flor...
Deixam rastros,
como os caminhos da vida...
E que tornam a vida,
um sonho de amor..

 

 

"Desejos" É uma obra rica em emoções, fazendo com que cada verso ressoe com a experiência universal do amar e do desejar.

 

8 de Junho de 2006

18
Fev25

"Exuberante amor" ✨ - Música

AndreL
 

--xxXxx--


Quando por ti passo, na tua praia,
Observo tua silhueta.
Envergonhada, deitada n’areia,
Quando por ti passo,
E esbracejas um sorriso,
O mistério perverso.
Do compromisso.

No trampolim dos sonhos,
Tu te rebaixas e rebolas,
Desejosa de colo.
Colo que eu nunca tive,
És só uma Mulher que vive,
Com a alma envergada,
Para o dia da vigília, alma velada.

E agora que o corpo entorpece,
Veio a luz clara,
Como a teia que se tece.

A vida que queremos ter,
Antes de viver.
A vida sofrida de querer,
Difícil de antever.
Como o arco-íris e as suas tintas,
Coloridas, com formas distintas.

Chora...
E cobre-te de luto,
Desse amor passado, devoluto.
Deita.
Na minha cama,
Diz-me agora, a quem amas...

Planta.
Em ti uma semente,
De esperança fundida, desejo demente.

Mostra.
Teu lado selvagem,
Assume-te agora, com coragem.

Porque assim desejaste,
E a minh'alma encantaste.
Vem, exuberante amor,
Esquece essa dor...

Agora que jaz pálida,
Na essência do dom material,
Na força do prazer carnal,
Sem esquecer que eram assim,
Este esplendoroso jardim.

Vem.
Quebra essa dor,
Abraça o que fomos,
E o que restou.

Ama...
Com toda a verdade,
Deixa o passado,
E a saudade.

Vem...
Exuberante amor,
Transforma a dor,
No nosso calor...

Chora.
E cobre-te de luto,
Desse amor passado, devoluto.
Deita...
Na minha cama,
Diz-me agora, a quem amas.

Planta.
Em ti uma semente,
De esperança fundida, desejo demente.

Mostra.
Teu lado selvagem,
Assume-te agora, com coragem.

Quando por ti passo.
Na tua praia.
O mistério do compromisso.
Ainda me atrai.



"Exuberante amor" é um poema que evoca uma profunda reflexão sobre a resiliência espiritual e a força interior que se manifesta diante das adversidades da vida. A voz poética fala sobre se sentir parte de algo maior, o que proporciona um senso de pertencimento e propósito. Essa ligação com o que está além de si mesmo oferece consolo e apoio, reforçando a ideia de que não estamos sozinhos em nossas lutas. 

15
Fev25

"Tributo a Ísis" ✨ - Música

AndreL

 
-- xxXxx --

O calor invade o corpo,
Tão suave e doce como um poema.
É brisa que dança nos lábios,
É chama que arde e não queima.
Entre rimas e dilemas,
Perdido entre maresia e magia,
Sou poeta, sou poema,
Ou apenas nostalgia?

E tudo se escreve sem direção,
Versos que sopram na imensidão.
Entre altos e baixos, picos e quedas,
A vida é tinta que se espalha sem pressa.


Talvez seja o sentimento do poeta,
Que transforma o pranto em diamante.
Cada lágrima escrita, uma promessa,
Versos que ecoam no peito amante.

Rabisco palavras no véu da noite,
Tecendo um fio fino de luz.
Cada sílaba solta um segredo,
Que ao coração sedento conduz.
Vejo um poema nascer,
Vejo esse fogo crescer.
E na harmonia dos versos,
Sinto a alma florescer.

Ou talvez seja ela, a desejada Ísis,
Que em versos suaves canta ao luar.
Trazendo em sua voz toda a magia,
Que o tempo insiste em revelar.
O poeta, o poema e a poesia,
São ecos de um amor latente.
Cada toque, um novo verso,
Escrito em pele ardente.

Talvez seja o sentimento do poeta,
Que transforma o pranto em diamante.
Cada lágrima escrita, uma promessa,
Versos que ecoam no peito amante.

O desejo se torna chama,
Se espalha como um vendaval.
Deixa-se levar pela dança,
Pelos delírios que arrepiam a alma.

O corpo estremece.
E as mãos escrevem.
Para dissipar este dilema.
A tinta seca, o poema fica.
Mas o amor... esse nunca se apaga.

-- xxXxx --

Letra inspirada em um velho poema que escrevi em 2007, adaptado para esta música. Espero que gostem.
Meu antigo blog amor.bigbig.com

09
Fev25

🎵 Duas metades 🎵 Música

AndreL
 

--xxXxx--

Sufocado no meu ser...
Enquadrado no génio e desviado da mente...
Vingança em silêncio...
Do amor indecente...

Perdida em memórias que o tempo não apaga,
Caminho por trilhas onde a saudade me traga...
Ciclo sem fim, dor e desejo entrelaçados,
E no silêncio, segredos ficam guardados...


Com um anel de diamante, muito brilhante,
Que cairá e denunciará o ser angustiante...
Quando tu de mim te aproximares,
Este é o meu juízo,
O meu ódio, o teu riso...

Teus olhos carregam sombras do passado,
Mas no brilho do anel, um futuro encantado...
Cegos pela dor que a raiva alimentou,
Duas almas feridas, o destino as moldou...


Venceste... Não posso mais...
Muito mais te tirei,
Do que entregaste...
Inútil luta...
Tombei... Ganhaste... Esta parte...

Não ganhei, não perdi, apenas vivi,
Na batalha do amor, tanto sofri...
E agora me pergunto, o que restará?
Duas metades partidas, quem curará?


Lutaste como ninguém...
Segue livre nos teus passos...
Se um dia a tristeza chegar,
Não me culpes pela dor...
Com sabor de ressentimento sábio,
Sabor diferente do teu lábio...

Caminho por terras onde a culpa não mora,
Mas os ecos do teu nome só chegam agora...
Se a tristeza vier, não te esquecerei,
Em cada despedida, algo de nós deixei...


Venci... Venci não na razão...
Apenas na paixão...
Somos duas metades, dois destinos cruzados,
Amantes e rivais, em sonhos entrelaçados...


No eco do tempo, carrego tua marca...


E na eternidade, nossa chama é centelha que arde...


Amor e dor... Melodia sem fim...
Dois corações em rima, na poesia do “sim”...

--xxXxx--

 

"Duas metades" é uma letra adaptada do poema "Disparidade Homónima" poema este publicado em 2005 por André L Aka Mestrinho. Um poema que mergulha nas nuances da dualidade do ser, explorando a complexidade das relações. O poema é construído a partir de uma série de imagens poéticas que evocam um profundo senso de introspecção. O autor joga com a ideia de homônimos, palavras que soam iguais mas têm significados diferentes, para ilustrar as disparidades que existem dentro de nós e nas relações humanas. Essa escolha linguística é uma forma de expressar como as pessoas podem ter percepções variadas da mesma realidade, destacando a subjetividade das emoções e das vivências. Ao longo do poema, o autor reflete sobre as tensões entre amor e dor, alegria e tristeza, presença e ausência. Essas polaridades são apresentadas de maneira a mostrar que, muitas vezes, são inseparáveis. A beleza do amor é acompanhada pela dor da perda, e a alegria pode ser ofuscada pela tristeza. Essa dualidade é uma constante na vida humana e, através de sua escrita, Mestrinho comunica a ideia de que é através dessas experiências contraditórias que encontramos profundidade e significado. As metáforas utilizadas no poema são ricas e evocativas, permitindo ao leitor visualizar e sentir as emoções que o autor tenta transmitir. O autor não se limita a descrever estados emocionais; ele convida o leitor a sentir as texturas e os subtextos das interações humanas. A musicalidade da sua poesia acrescenta uma camada de intensidade, fazendo com que cada verso ressoe com uma melodia própria. O autor também faz uma reflexão sobre a identidade, questionando o que realmente significa ser um indivíduo em meio a tantas influências e expectativas externas. Essa busca por autocompreensão é um tema central no poema, revelando a fragilidade da condição humana. A disparidade entre o que se é e o que se aparenta ser é uma fonte de conflito interno, o poema/letra expressa essa luta com uma sensibilidade única.


Publicado originalmente aqui https://blogalizeme.blogspot.com/2005/11/disparidade-homnima.html

 

31
Jan25

"Anatomia de um sorriso" - Rework - ✨

AndreL
Rework - Não fiquei inteiramente satisfeito com a versão original.
 
Em tempos de tristeza
Colhi do passado um fresco alento
De jovens em fase de intento
Que nas frustrações,
desesperos e ilusões.
Palidamente, desistira da eternidade
Desistira de tocar o infinito
Sei bem que não me compreendes.
Sei bem que já estive mais perto do entendimento.
E o único que sinto
É este momento.
E tudo o que tenho para respirar
É o breve alento, o de te amar
Porque cedo ou tarde
Tudo pode acabar.
doce saudosismo
que aparece como um cismo
E torna o pensamento em um cataclismo.

A Mulher
A debilidade.

Docemente recordo-me
Dos tempos vividos
Dos sentimentos queridos
Das situações causadas
Dos nossos caminhos pelas estradas,
Da vida
Das nossas cumplicidades conhecidas.

O coração
A emoção

Em jeito de lobo mal
Boca grande
Que excita
Que convida
Ao acto selvagem.
O desejo animal,
O prazer carnal
Desta força fenomenal
Não houve amor igual.
Vem, volta ao calor intenso
Tenho a certeza que ele será imenso.

 

© Mestrinho 20 de Maio de 2006

 
30
Jan25

"Regresso as origens" ✨ - Música

AndreL
Ah, minha menina,
Que vieste assim, tão de repente,
Que dominaste por completo.
As mais belas coisas me ensinaste,
De saudades estou repleto
Me provocas,
Abres as janelas...
E do desgastado passeio cheio de limo,
Colho pedaços imperdíveis da infância
Onde vimos as sombras dos grandes pinheiros...
O cheiro forte das abelhas sorvendo o néctar
Como o néctar de Vénus precipitando o mel
Sentimento amplificado
De passado sagrado...?

Ah, minha menina,
Velhos dissabores evaporam.
Anseios desvanecem
Foi como ontem as aventuras,
Perfumadas de travessuras.
Foi como ontem alma gentil,
guardei esta paixão que não dormiu

Ah, minha menina,
Hoje será o abraço forte, a emoção
Poderá ser uma contradição,
Ver-te assim menina madura
Em corpo de Mulher segura.
Dilacerando a saudade
Num beijo sem piedade.

Sonolento,
cantava esta canção
e ouvia.
O doce relógio da vida
E que logo marcaria mais uma volta.
Sem retorno
 
 
Há momentos na vida em que somos tomados por um turbilhão de emoções ao revisitar memórias impregnadas de nostalgia. O poema "Regresso às Origens" é um exemplo brilhante de como as palavras conseguem transportar-nos para tempos passados, cheios de inocência e simplicidade. Vamos explorar a essência desse poema e o que ele nos pode ensinar. No centro do poema, surge a figura de “minha menina”, carregada de simbolismo. Ela não é apenas uma pessoa, mas um portal para o passado. Esta imagem feminina remete o autor para memórias de infância, lugares que já foram percorridos e sensações que pareciam adormecidas. Ela é a representação da saudade, que ora fere, ora conforta.
 
Quem nunca sentiu o coração apertar ao lembrar de uma infância distante? Ao evocar imagens como o passeio desgastado pelo tempo, o néctar sorvido das abelhas e os pinheiros que pareciam gigantes, o autor resgata fragmentos que nos fazem sentir como se estivéssemos ali, ao seu lado. O poema reflete também sobre o inevitável: a passagem do tempo. É impossível não se emocionar com frases como "verte assim menina madura em corpo de mulher segura". Aqui, há uma aceitação melancólica de que o tempo não perdoa e que a menina do passado cresceu e mudou.
 
Ainda assim, o autor consegue criar uma ponte entre as lembranças e o presente, reforçando o poder das memórias em moldar quem somos. Mesmo que o tempo transforme, a paixão e a intensidade dessas lembranças continuam vivas. É como se cada ruga no rosto guardasse uma história, cada saudade guardasse um propósito. A saudade é, talvez, a alma deste poema. Ela surge em cada verso, ora como dor, ora como um carinho quente no peito. As aventuras da infância, repletas de travessuras e aromas inesquecíveis, contrastam com a seriedade da idade adulta. No entanto, a saudade não é vilã; ela também é uma ponte que nos conecta às nossas origens.
 
O autor captura isso através de uma linguagem poética e sensorial, como o cheiro forte do néctar ou os sons da vida passando. Essas imagens criam uma atmosfera quase cinematográfica, em que somos espectadores e protagonistas ao mesmo tempo. O poema não é apenas uma experiência visual ou emocional, mas também musical. O ritmo das palavras, a repetição de certos elementos e o uso de sons evocam uma melodia que flui naturalmente. É quase como se, além de ler, pudéssemos ouvi-lo ser declamado com uma voz cheia de saudade e alma.
 
Essa musicalidade é essencial porque reforça os sentimentos transmitidos. Não é apenas o que é dito, mas também como é dito. É um convite não só para refletir, mas também para sentir, para deixar o poema ecoar no coração. Ao mergulhar neste poema, é inevitável começarmos a refletir sobre as nossas próprias memórias. Qual foi a última vez que pensámos na nossa infância? Ou nas pessoas que fizeram parte deste percurso?
 
As palavras do autor servem como um lembrete de que nunca devemos esquecer de onde viemos. As memórias, por mais distantes que pareçam, continuam a viver dentro de nós. Elas podem ser um refúgio nos momentos difíceis, uma inspiração para seguirmos em frente ou apenas uma forma de nos conectarmos com quem realmente somos.
 
Revisitar as origens é mais do que um exercício poético. É um ato de amor. É uma prova de que mesmo o tempo, com a sua força avassaladora, nunca será capaz de apagar aquilo que é verdadeiramente eterno: os sentimentos. Que todos possamos encontrar, nas palavras do autor ou nas nossas próprias memórias, um motivo para sorrir e valorizar as raízes que nos sustentam.
 
© Mestrinho

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