Sacred word ✨ - Music
A poesia, para mim, nunca foram apenas palavras organizadas, ela sempre existiu como uma presença viva, feminina, antiga, insistente. Quando escrevo sobre ela, não estou a inventar uma personagem, estou a reconhecer uma entidade que me antecede e me transcende. Sinto-a como uma figura arquetípica, uma espécie de musa primordial, mas também algo maior, quase uma divindade íntima, aquela que se deita entre o que vejo e o que sonho. Ela domina, seduz, guia. Às vezes sou eu que a invoco, outras vezes é ela que me reclama. Ela habita o espaço onde a razão e a loucura se encostam. A criação sempre brotou desse limiar, dessa zona onde tudo pode nascer ou se desfazer. Quando digo que ela se move por abismos, estou a falar desse território interior onde o inconsciente abre suas portas. Ali, imagens se formam sozinhas, vozes esquecidas se revelam, e eu me torno apenas testemunha daquilo que passa. A poesia é a guardiã desse portal, a mensageira que vai e volta, trazendo fragmentos de mundos que não consigo ver com os olhos.
Letra:
Fragments of bliss
complex, bold
in tones of poetry untold.
Composed of sound, of word, of rhyme,
full of everything
and nothing, in time.
“My name is Poetry,” she says
“I am yours,
and your soul is mine.”
Static visions, vapor divine,
inviting all to dance
in verse or prose,
in trance, in chance.
She moves through abysses unseen,
a lady bold, magnetic queen.
She climbs and dives through dreams unknown,
where fevered words are overthrown.
Between madness and sanity,
she holds the flame
provocative poetry, uncontained.
A light that burns through darkest hue,
a wind that stirs,
that sweetens too.
Oh sacred word,
through breath and fire,
you feed the soul,
you raise desire.
Through shadow’s ink,
through silence true,
you are the flame
that writes me through.
Banned words,
betrayed sounds,
still, it’s poetry that resounds.
We cannot bind the universe,
nor make her still
we chase her beauty
against our will.
Transparent, proud,
unashamed, defiant
a living pulse,
so self-reliant.
Through the wind,
through the flame,
I call your light,
I speak your name.
In wisdom’s howl,
in sorrow’s sea,
you are the word
inside of me.
I fear to live
as if lost, unspoken.
To die
without your token*.
Through loss, through sound,
I find the key
your breath remains,
the word in me.
Fragments of bliss
complex, bold
in tones of poetry untold.
Composed of sound, of word, of rhyme,
full of everything
and nothing, in time.
“My name is Poetry,” she says
“I am yours,
and your soul is mine.”
Static visions, vapor divine,
inviting all to dance
in verse or prose,
in trance, in chance.
She moves through abysses unseen,
a lady bold, magnetic queen.
She climbs and dives through dreams unknown,
where fevered words are overthrown.
Between madness and sanity,
she holds the flame
provocative poetry, uncontained.
A light that burns through darkest hue,
a wind that stirs,
that sweetens too.
Oh sacred word,
through breath and fire,
you feed the soul,
you raise desire.
Through shadow’s ink,
through silence true,
you are the flame
that writes me through.
Banned words,
betrayed sounds,
still, it’s poetry that resounds.
We cannot bind the universe,
nor make her still
we chase her beauty
against our will.
Transparent, proud,
unashamed, defiant
a living pulse,
so self-reliant.
Through the wind,
through the flame,
I call your light,
I speak your name.
In wisdom’s howl,
in sorrow’s sea,
you are the word
inside of me.
* "a token of affection"
As imagens de sopro, fogo, vento e luz não são metáforas escolhidas ao acaso. Para mim, elas representam o modo como a poesia age, como sopro que desperta, como fogo que transforma, como luz que rasga a escuridão, como vento que não se deixa prender. Sinto que ela é uma forma de Logos**, uma força que não apenas revela o sentido das coisas, mas cria esse sentido. Quando escrevo, o poema nasce, não como gesto, mas como inevitabilidade. Há também a tensão entre silêncio e palavra. Isso, para mim, é a prova de que ela pertence ao mesmo movimento do universo, tão impossível de conter quanto o próprio cosmos. A poesia sempre encontra um caminho. Ela é a rebeldia da existência contra qualquer tentativa de apagamento. E no fundo existe um temor, não o medo de não escrever, mas o de não existir plenamente. Vivo como quem teme ser apagado, disperso. A palavra é o que me ancora no mundo, o que me faz perceber que há um centro, mesmo quando tudo parece se desfazer. A poesia é o gesto que impede o vazio de me engolir. Ela é a chama que me nomeia, que me sustém, que me salva. Por isso o poema começa e termina do mesmo modo.
Para mim a poesia não segue uma linha reta, ou caminhos tortos, ela gira e retorna. Essa circularidade não é repetição, é rito. É assim que ela se manifesta, como algo eterno, que pulsa, desaparece, reaparece e nunca se deixa capturar totalmente. Ao final, a sensação é sempre a mesma, a poesia não é algo que eu produzo. É algo que eu escuto. Algo que vive em mim. Algo que me escreve.
Adaptado do meu próprio poema (escrito em 2005) agora se transformou em uma música adorável. Também usado meu antigo trabalho em CGI "Qubit and the Cognitive Distortion"
Espero que gostem tanto quanto eu.

